Uma recente pesquisa divulgada pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO-USP) demonstra que “a técnica de escovação anteroposterior com escova de cerdas multiníveis é mais eficiente no combate à placa e ao biofilme nos primeiros molares das crianças, quando comparada à técnica tradicionalmente indicada pelos dentistas, chamada transversal.” Entendeu?
Vamos por partes:
- O primeiro molar a que a pesquisa se refere é o primeiro molar permanente (existe o primeiro molar de leite também), que é um dos primeiros dentes permanentes a aparecerem na boca. Ele nasce atrás do último dente de leite, confundindo muitos papais e mamães. Como nenhum dente fica mole pra ele nascer, muitos acham que ele faz parte da dentição de leite. É aí que mora o perigo. Quando rompe a gengiva e aparece na boca, o dente ainda demora um tempinho até atingir o mesmo nível dos demais (e isso acontece com todos os dentes). Resultado: é mais difícil limpá-lo corretamente. Geralmente, durante a escovação, a escova acaba “passando reto”, sem atingir o tal dente ou, quando o alcança, não faz a higiene adequada. Com uma escova convencional, que tem todas as cerdas do mesmo tamanho, é preciso mudar a direção da mesma pra conseguir limpar de maneira mais eficaz.
- Movimento anteroposterior é o mesmo que “pra frente e pra trás”. É o famoso “vai-e-vem” ou, como eu ensino aos meus pequenos pacientes, é o movimento do trenzinho (diferente da bolinha e da vassourinha).
- As escovas convencionais apresentam todas as cerdas do mesmo tamanho. A escova multinível citada na pesquisa, por sua vez, apresenta cerdas com tamanhos diferentes, o que permite alcançar melhor o dente em erupção. Veja na figura acima a diferença entre as duas: a de cima (cor de rosa) é a de cerdas multiníveis; a de baixo (azul), a convencional.
Traduzindo o que a pesquisa quis dizer: ao utilizar uma escova que tem cerdas de tamanhos diferentes, fazendo o movimento de vai-e vem, a criança consegue limpar melhor o primeiro molar que está erupcionando do que se usasse a escova com todas as cerdas do mesmo tamanho, mesmo mudando a direção da mesma.
E isso é bom? É! De acordo com os resultados apresentados pela Dra. Alessandra Reyes, a criança não tem que se lembrar de inclinar a escova para limpar o dente que está nascendo. O movimento anteroposterior (de vai-e-vem) é mais instintivo e, consequentemente, mais fácil de ser realizado.
Mas faço aqui uma ressalva. A pesquisa foi realizada com crianças entre 5 e 7 anos – período em que geralmente encontramos o primeiro molar permanente desde que aparece na boca até a sua total erupção, o que dura em torno de 15 meses (vale lembrar que, em geral, ele começa erupcionar por volta dos 6 anos, podendo vir um pouquinho antes ou depois). Ok, mas volto a bater na mesma tecla: em geral, por mais bem treinadas que sejam, crianças de até 6 anos não têm coordenação motora suficiente para uma escovação adequada. Isso significa que não devemos deixar toda a responsabilidade pela higiene bucal nas mãozinhas delas. Pelo menos uma vez ao dia é imprescindível que papais ou mamães assumam a responsabilidade de fazer a escovação correta e adequada da boca da criançada. E as cerdas multiníveis facilitam esse trabalho? Com certeza!
A pesquisa ainda terá desdobramentos a médio e longo prazos. Vale a pena ficarmos de olho!
Confira o vídeo em que a Dra. Alessandra Reyes comenta a técnica utilizada na pesquisa e os resultados obtidos. O texto que serviu de inspiração para este post você pode conferir clicando aqui.
Dica da Ana Tokus, do blog Medo de Dentista.
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29 de julho de 2012 às 15:34 ·
Muito boa a matéria!!Sucesso.
KingOdonto