Bullying Odontológico

Bullying: está aí um tema bastante evidente nos últimos tempos. Inúmeros debates, discussões e campanhas têm sido feitos para combater essa nova prática de discriminação. Pais, educadores e toda sorte de profissionais devem estar atentos para saber lidar com esse problema, uma triste realidade especialmente para nossas crianças e adolescentes. E o “bullying odontológico”? Isso existe? Como perceber?

 

O que é bullying?

Segundo a Wikipedia, bullying “é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (ou grupo de indivíduos) com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.” (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying).

Em outras palavras: o bullying extrapola os limites da brincadeira saudável e entra no campo da violência, seja ela física ou verbal.

O grande problema é que nem todas as crianças delatam seus agressores. Intimidadas, preferem guardar as ofensas para si. Ficam cabisbaixas, não querem ir à escola por medo da exposição ao ridículo ou, até mesmo, de que algo lhes aconteça fisicamente. Acabam tendo seu rendimento nos estudos prejudicado e, o que é pior, ficam estigmatizadas e deprimidas. Não suportam a situação, mas não sabem se impor. Quando reagem, o estrago é grande. Explodem, literalmente.

Foi o que aconteceu com Casey Heynes, um garoto australiano que – recentemente – tornou-se famoso no mundo inteiro por reagir às agressões de um colega de escola. O vídeo, postado no Youtube, foi visto por milhares de pessoas trazendo à tona a questão do bullying.

No final deste post, assista ao vídeo da entrevista de Casey a um programa de televisão. Além das cenas de violência que ele protagoniza, você vai ver que ele representa o sentimento de muitas crianças que se calam: depressão, isolamento e, em alguns casos extremos, até mesmo a ideia de suicídio.

“Bullying Odontológico”

Oficialmente, esse termo não existe. Foi algo que inventei para escrever este post e alertar para o problema. Nenhuma criança gosta de ser chamada de “dentuça” (nem a Mônica!), “abridor de garrafa”, “dentão”; nem de se parecer com o Ronaldinho Gaúcho (a não ser pela habilidade com a bola) ou com o Pernalonga.

Muitas crianças acabam aparecendo no consultório porque se sentem incomodadas com as “brincadeiras” das quais são vítimas. E querem, a todo custo, resolver o problema. Mas, dependendo do caso, acabam esbarrando em outro. Se já eram motivo de chacota por causa da má posição dos dentes, continuarão sendo porque estarão usando aparelho. Se forem os extra orais então… Cá entre nós: se já é ruim ser chamado de “abridor de garrafa”, imagina usando um aparelho que a meninada chama de “freio de burro”?

Nessas horas, o profissional deve ser bastante sensato para definir o plano de tratamento sim, mas também tem que por um pouquinho de sensibilidade no caso. Explicar para a criança e para os pais a necessidade deste ou daquele aparelho é fundamental para se ter a confiança de todos. O motivo da escolha deve estar baseado, acima de tudo, no que for melhor para a criança. Mas, se ela já está inibida por causa das “piadinhas”, será que não podemos minimizar seus problemas em vez de criar outro? No caso de aparelhos extra orais, por exemplo, tenho a certeza de que a criança irá colaborar muito mais se tiver que usá-los apenas em casa, longe das vistas dos coleguinhas. Lógico, cada caso é um caso. Mas deixo a discussão em aberto.

Caros colegas, especialmente odontopediatras e ortodontistas, o que acham? Comentem! Opinem! Deem sugestões de como podemos ajudar crianças e adolescentes a lidarem com a situação!

Um grande abraço do tio!

* Logo abaixo, o vídeo (legendado) da entrevisa de Casey Heynes a um programa de TV australiano. Assinantes de feeds e que recebem os posts por e-mail: acessem o blog para poder assistir!

 

VEJA O OUTRO LADO DA MOEDA: ENTREVISTA COM RICHARD GALE, O AGRESSOR DE CASEY. É SÓ CLICAR AQUI!

* Logo a seguir, algumas referências que achei interessante sobre bullying.

http://bullyingnaoebrincadeira.com.br/

http://elo.com.br/portal/colunistas/ver/217941/bullying–violencia-disfarcada-de-brincadeira.html

Seu filho está sendo vítima de bullying? Faça o teste!

http://educacao.uol.com.br/quiz/por-pontos/2011/03/23/seu-filho-esta-sofrendo-bullying.jhtm

posted: abuso infantil, bullying, O tio dentista explica, ortodontia preventiva, violência

1 trackback

Filho do Zangief fornecendo pacientes para o dentista!
22 de janeiro de 2012 às 23:53

5 comments

  1. Eu sofria na época da Páscoa, Tio! Sofria muito!

  2. Parabéns, Gustavo, pelo excelente post. Atualíssimo e tb muito comum aqui no Brasil. Segundo um levantamento do IBGE, 31% dos estudantes já foram vítimas dessas agressões, o que é lamentável.

  3. "Foque nos dias bons, mantenha o queixo erguido… a escola não vai durar pra sempre. Aguente firme". É isso aí Casey! :D

    A violência não é a resposta, mas quando se é levado ao limite, coisas assim acontecem. Que dê tudo certo para o nosso herói.

  4. É bem complicado.
    E eu pra piorar ainda usava óculos, kkkkk… ainda bem q eu q zoava de mim mesma. Brincadeiras a parte, eu não permito apelidos na minha sala de aula, mesmo os carinhosos, não acho nen saudável o ato de apelidar e rotular, tem q haver sempre o diálogo com a turma, o professor é peça fundamental nesse processo, até mesmo q os pais, sabia? Pq é na escola q a criança vai buscar a sua socialização e onde fica mais vulnerável.

    Muito bom seu post.

  5. Adorei o termo "Bullyng Odontológico".
    Vc sempre nos presenteando com textos muito bem escritos e com temas muito importantes.
    Os pais precisam saber reconher logo qdo seu filho irá precisar de uma intervenção do dentista para corrigir a mordida.
    Minha mãe logo percebeu que precisávamos usar aparelho e não perdeu tempo, nos levando ao dentista.
    bjsssssssssssss

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